As eleições deste ano inauguram uma nova experiência para o PT e para milhares de candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador do Partido em todo o país. Será a segunda eleição municipal a ser realizada sob o governo do Presidente Lula, mas a primeira capaz de refletir nas urnas os resultados até aqui produzidos por este governo e que não estiveram presentes na disputa de 2004. Por isso, esta pode ser considerada a “Campanha do Verbo”, cuja tônica será o próprio discurso a ser construído a partir destes resultados e da figura do Presidente Lula como o cabo eleitoral número 1.
Esta influência tende a ultrapassar as campanhas petistas e beneficiar também os partidos da base aliada do governo federal. Porém, é preciso estar ciente de que ela não é auto-sustentável. Ao contrário, depende muito mais da capacidade de cada candidato em nacionalizar as eleições municipais, transformando os números do Governo Lula em argumentos palpáveis e que interfiram na vida das pessoas em seu município.
Neste contexto, o perfil do candidato também deve ser considerado fator determinante. As últimas experiências eleitorais no Brasil demonstram a polaridade e a dualidade entre dois perfis, sobretudo em relação às chapas majoritárias. Se de um lado é estratégico apostar na construção de um “rosto social”, assim como se construiu o governo Lula, também é prudente considerar o caráter técnico-administrativo como um ingrediente determinante em outras situações. Ambas, porém, não se definem somente pela relação das candidaturas com o governo federal.
Eis, então, a terceira consideração. É justamente a partir da construção discursiva e de sua potencialização pelo perfil dos candidatos nos municípios, que deverá emergir a estratégia mais importante para os petistas nestas eleições: a capacidade política de cada candidato apropriar-se desta confluência para, a partir dela, apresentar seu próprio projeto de futuro para o município. Em uma campanha, o eleitor espera compreender o que cada candidato significa para o futuro da sua cidade, do seu bairro e da sua rua. Por isso a importância de um projeto claro, com metas bem definidas e uma comunicação eficiente, a fim de que esse mesmo eleitor possa compreendê-lo e, especialmente, diferenciá-lo dos demais. Afinal, a essência deste projeto estratégico de futuro será a grande responsável por caracterizar cada candidato, interferindo significativamente em seu desempenho eleitoral. Ao mesmo tempo, será o principal instrumento capaz de fazer com que as pessoas percebam as transformações que o Governo Lula está promovendo no presente e, paralelamente, o que o governo do PT pode significar para o seu município no futuro. |