No momento em que gestores públicos de todo o mundo se mostram dispostos a investir em políticas voltadas à preservação ambiental, somos surpreendidos pela notícia do fechamento do Aterro Sanitário de Chapecó, construído no primeiro governo do PT e inaugurado em junho de 2000. Tal decisão está na contramão de uma das principais demandas do poder público neste Século XXI, que é a de transformar o “problema” do lixo em oportunidade. Na Europa, por exemplo, países como a Dinamarca chegam a reciclar 90% do lixo, 9% é incinerado e apenas 1% é depositado em aterros.
A construção do Aterro Sanitário de Chapecó ocorreu após vários estudos técnicos, discussões com a sociedade e um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão. A obra de 8,20 hectares foi implantada em uma área adquirida pela prefeitura em Sede Trentin. Considerado um dos aterros mais modernos do Brasil, possui toda a área de compactação e acomodação impermeabilizada, monitorada por dispositivos que evitam o contato do lixo com o solo. Mais do que uma obra, representou uma solução para um problema histórico do município que, durante 20 anos, depositara todo o lixo a céu aberto, em um local no Parque das Palmeiras.
O antigo lixão, como era conhecido, contaminava rios e mananciais e poluía o ar da cidade, deixando a população suscetível a problemas de saúde, principalmente as 26 famílias que ali viviam em condições sub-humanas. Neste aspecto, o Aterro Sanitário também significou um avanço social, devido à criação de uma cooperativa de reciclagem paralela que gerou renda e dignidade para essas famílias. Já no segundo governo do PT, prosseguimos os investimentos. Em setembro de 2004, aplicamos mais R$ 1 milhão para ampliar a capacidade de absorção do lixo no aterro. Em junho do mesmo ano, também assinamos um convênio no valor de R$ 2,6 milhões com o BNDES para recuperar o antigo lixão e revitalizar o local, inaugurado no ano passado.
O moderno Aterro Sanitário e as ações paralelas que implementamos, a exemplo dos programas de coleta seletiva e do sistema de reciclagem, permitiram estabelecer em 25 anos sua vida útil. Porém, a descontinuidade destas políticas e a falta de investimentos nos últimos quatro anos comprometem este prazo. Mesmo assim, não são suficientes para decretar o fechamento do local. Precisamos de mais respostas para este crime que não é apenas ambiental, mas financeiro, já que o transporte do lixo para outro município através de uma empresa privada deve onerar ainda mais os cofres públicos.
E o que falar então do que será levado junto com o lixo: a oportunidade de gerar energia elétrica a partir do gás produzido no aterro; de construir um projeto de educação ambiental através da coleta seletiva; e de gerar mais emprego e renda com a reciclagem. Não há razão financeira, ambiental ou social para tal decisão. Afinal, se ela resultará em mais despesa aos cofres públicos, reduzirá a reciclagem, o emprego e a receita do município, qual o verdadeiro interesse para tal decisão? A sociedade precisa de respostas e, mais do que isto, tem de reagir para impedir que esse crime seja consumado e crie ainda mais problemas ao bem estar da nossa cidade e das futuras gerações.
Pedro Uczai - Deputado Estadual e ex-prefeito de Chapecó |